quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Produção de torque com câmbio automático

Produção de torque pelo conversor

Para que o conversor de torque possa produzir torque em determinadas situações, é necessário adicionar um terceiro elemento a ele, o estator, localizado entre a bomba do conversor (ligada ao motor) e a turbina, que recebe o fluxo de óleo da bomba.

Quando o fluido que deixa a turbina atinge as palhetas do estator, ele é redirecionado até as palhetas da bomba em uma direção que faz com que a força do fluido auxilie o motor no seu trabalho de girar a bomba, adicionando força quando a turbina está quase parada, ou seja, o veículo está iniciando seu movimento ou se movendo vagarosamente. A força hidráulica pode então multiplicar o torque do motor pelo menos duas ou mais vezes.




A multiplicação de torque é necessária em baixas velocidades do veículo para ajudá-lo a iniciar seu movimento. Contudo, em velocidades maiores, a multiplicação de torque não mais é necessária, e neste caso o estator não deverá atuar.

Baixa velocidade – o estator encontra-se travado, havendo multiplicação de torque. Nessa situação, o estator está ligado por meio de um eixo estriado à carcaça da transmissão e montado em uma embreagem de roletes que gira em uma só direção, do tipo “roda livre”. A embreagem de roletes tipo “roda livre” trava o estator quando a turbina se encontra em baixas rotações, porque o fluxo de óleo proveniente dela atinge suas palhetas num fluxo contrário à roda livre, produzindo um redirecionamento do óleo dentro do conversor e tornando possível a multiplicação de torque.

Alta Velocidade – o estator gira, não havendo nenhuma multiplicação. Assim que a velocidade do veículo aumenta, e conseqüentemente a rotação da turbina, a força centrífuga altera a direção do fluido que deixa a turbina. Em altas rotações, a direção do fluido é tal que ele atinge a parte de trás das palhetas do estator. Esta ação faz com que a embreagem de roletes seja liberada e o estator gire livremente. Com o estator girando, ele perde sua ação redirecionadora e o fluxo do fluido, agora sem adição de torque, é utilizado somente para manter a velocidade do veículo.

Embreagem do conversor de torque (TCC ou Lock-up) – O Lock-Up ou TCC (Torque Converter Clutch) consiste de uma placa de pressão que, quando aplicada, provê um acoplamento mecânico direto entre o motor e a transmissão, uma vez que esta placa une a bomba e a turbina mecanicamente.

O acoplamento fluido funciona muito bem em baixas velocidades, quando uma multiplicação de torque é necessária. Contudo, depois que o veículo atinge uma velocidade em que o estator não mais está multiplicando torque (geralmente acima de 45km/h ou maior), o acoplamento fluido não é mais necessário, e se torna até mesmo ineficiente, devido ao deslizamento causado pelo fluido.

A placa de pressão, instalada dentro do conversor, e ligada à turbina por meio de um eixo estriado, possui um material de fricção colado em sua parte frontal.

Quando as condições do veículo são apropriadas (certa velocidade, temperatura da transmissão e marcha selecionada, entre outras) para a aplicação do Lock-up, o fluido circulante dentro do conversor sofre uma inversão em seu fluxo e pressiona a parte traseira da placa, que é movida contra a carcaça do conversor, criando uma ligação mecânica entre o motor e a transmissão, como se os dois ventiladores indicados anteriormente fossem empurrados um contra o outro.

Este acoplamento mecânico oferece uma transferência de torque mais eficiente porque elimina o pequeno deslizamento gerado por um acoplamento fluido.

Adicionalmente, o acoplamento mecânico contribui para a diminuição do calor dentro do conversor, que normalmente acontece em um acoplamento fluido.

1 comentário

Bispo disse...

Gostei e aprendi muito com o comentário sobre tcc. Muito bom! Obrigado!

Postar um comentário